New York não acreditou. Especialmente por ser ela.

Por ser a herdeira de um império, capitã do time de natação, idolatrada e eleita se atirando da ponte do Brooklyn; ela não tinha motivos para acabar com a própria vida. Aparentemente. As investigações procuraram inutilmente por um culpado, como a ex-namorada abusiva, a melhor amiga movida pela inveja, o irmão enciumado, os colegas que a odiavam, o professor pedófilo, qualquer um, mas não havia ninguém. Gail se cansou de ser uma cadela e escolheu uma forma de morrer sem que seus latidos fossem ouvidos. Então, eles tiveram que admitir: um trágico e louvável suicídio. Derramaram lágrimas, mas no final, todos se esqueceram dela. Prosseguiram com suas vidas sem as ameaças, os segredos e o medo de serem pegos, Gail levou as provas para o túmulo. Ou, era o que parecia… Até eles serem vendidos por uma editora. Com o lançamento do livro-biografia de Gail Temple, seus familiares e amigos se transformaram em imagens desprezíveis. Seus leitores acreditaram que Gail era uma vítima e embora os nomes nunca tenham sido revelados, o público criou inúmeras teorias, principalmente sobre a escritora do título. Mas, as mensagens de ódio, ataques nas ruas e perseguição midiática não são o problema. O que acontece quando a vadia morta retorna à vida apenas para atormentar aqueles que são dela? Eu arrisco dizer que a caça aos mentirosos exuma um corpo, aciona medidas protetivas e coloca jovens em meio a uma investigação.

É, é melhor não confiar em quem você ama e nem no que te dizem na delegacia.


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